As discussões do júri encarregado do caso de Lindsay Clancy terminaram nesta quinta-feira (3) após o sexto dia de deliberações sem que houvesse um veredito unânime. Com aproximadamente 36 horas de debates acumuladas no tribunal de Plymouth, em Massachusetts, o grupo enviou duas mensagens formais ao juiz relatando o impasse. O magistrado liberou os jurados e determinou a retomada dos trabalhos para as 9h desta sexta-feira.

Clancy, enfermeira obstétrica de 36 anos, enfrenta três acusações de homicídio em primeiro grau pelas mortes de Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses. Os crimes ocorreram em 24 de janeiro de 2023 na residência da família situada em Duxbury. A autoria dos estrangulamentos não é contestada pela defesa, concentrando-se a controvérsia judicial na sanidade mental da ré no momento dos fatos.

Enquanto os advogados argumentam que a acusada sofria de psicose pós-parto, a legislação estadual determina que cabe à acusação comprovar de forma incontestável que ela possuía pleno discernimento de seus atos. Uma condenação em primeiro grau resulta em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, uma vez que o estado não adota a pena capital. Caso seja absolvida por insanidade, ela continuará internada em uma instituição psiquiátrica estadual, sob avaliações periódicas.

A ré tentou suicídio na mesma data dos homicídios, episódio que a deixou paraplégica. Ela acompanhou os 21 dias de testemunhos, que totalizaram 84 depoimentos, utilizando uma cadeira de rodas, mas optou por não prestar depoimento. A sessão de quinta-feira foi marcada por momentos de forte tensão, exigindo que o juiz conversasse individualmente com cada jurado e reiterasse as orientações sobre a aplicação da lei e o conceito de dúvida razoável.

Durante a audiência pública, a defesa apontou que um dos membros do júri estaria se recusando a seguir as determinações legais e solicitou a sua exclusão do painel. O magistrado rejeitou a intervenção por considerar inadequado tomar partido na disputa. Com isso, tanto a definição de uma condenação quanto a decretação de anulação do julgamento por impasse permanecem como desfechos possíveis.