Familiares de Benício Xavier, garoto de 6 anos que morreu vítima de overdose de adrenalina em Manaus, compareceram à sede do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) para requerer a inclusão formal no processo administrativo que apura a conduta da técnica de enfermagem Raissa Bento. O pedido acontece 9 meses após o falecimento da criança em um hospital particular da capital amazonense.

Com a solicitação, a família busca fiscalizar diretamente cada fase da sindicância, acessar as providências adotadas pelo conselho profissional, juntar provas e interpor recursos em caso de decisões contrárias. Segundo Bruno, pai do menino, os parentes já tinham sido chamados a participar das apurações no Conselho Regional de Medicina (CRM), mas precisaram intervir ativamente junto ao Coren-AM para cobrar a responsabilização da técnica envolvida na ministração da substância.

Ação penal na Justiça

No campo criminal, o episódio tramita no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A médica Juliana Brasil e a técnica Raissa Bento respondem como rés pelo crime de homicídio doloso, sob a tese acusatória de terem assumido o risco de provocar a morte do paciente ao ministrarem dosagem de adrenalina superior à recomendada.

As defesas das profissionais já apresentaram as manifestações preliminares nos autos. A designação das audiências de instrução e julgamento depende no momento da conclusão dos exames em registros de vídeo, trabalho conduzido pelo Instituto de Criminalística.

Retificação de documento

Paralelamente às apurações éticas e judiciais, Joyce, mãe do menino, protocolou ação na Justiça para solicitar a correção da certidão de óbito de Benício. A primeira versão do documento registrou apenas síndrome respiratória aguda grave, edema pulmonar, parada cardiorrespiratória e laringotraqueíte aguda como causas do falecimento.

De acordo com os familiares, a certidão omitiu a ocorrência de overdose de medicamentos. A complicação já havia sido descrita no prontuário hospitalar quando o menino deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de ter sido confirmada no laudo pericial elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML).