Seleção reúne 87 candidatos indígenas

Em São Gabriel da Cachoeira, 87 candidatos de origem indígena avançaram na disputa por 25 vagas exclusivas de mestrado e doutorado oferecidas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). São 34 concorrentes ao doutorado e 53 ao mestrado, representando mais de 15 povos diferentes.

Distribuição das vagas e início das aulas

As oportunidades dividem‑se entre três programas: cinco vagas para o mestrado em Sociologia, cinco para o mestrado em Filosofia e 15 para o doutorado em Sociedade e Cultura na Amazônia. As aulas estão previstas para começar em 2027.

Interiorização da pós‑graduação

A iniciativa faz parte da política de interiorização da UFam, que já levou programas a municípios como Parintins, Tabatinga e Benjamin Constant. Em São Gabriel da Cachoeira, o projeto começou em 2023, buscando formar pesquisadores dentro do próprio território. "Um dos aspectos mais relevantes do projeto desenvolvido em São Gabriel da Cachoeira está relacionado ao esforço do PPGSCA para formar indígenas em seus próprios territórios", afirma Ludolf Waldman Júnior, coordenador do programa.

Parceria entre programas

Este edital foi elaborado em conjunto pelos programas de Pós‑Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), Sociologia (PPGS) e Filosofia (PPGF). "Temos uma novidade significativa em relação aos processos anteriores: ele foi elaborado por meio de uma parceria entre o PPGSCA, o PPGS e o PPGF", destaca o coordenador.

Transformação na produção de conhecimento

A presença de indígenas na pós‑graduação altera a dinâmica de pesquisa sobre a Amazônia, permitindo que eles passem de objetos de estudo a sujeitos produtores de saber. "Esse processo é fundamental porque permite que deixem de ocupar exclusivamente o lugar de objetos de pesquisa e passem a atuar como sujeitos produtores de conhecimento", ressalta Waldman.

Desafios e perspectivas

Com 48.256 dos 51.795 habitantes da cidade sendo indígenas (93% da população segundo o Censo 2022), os candidatos ainda enfrentam barreiras como a distância da capital, custos de deslocamento e adaptações a ambientes urbanos. "Os indígenas frequentemente precisam viver e trabalhar muito distantes de seus territórios, familiares e amigos, em uma metrópole que, muitas vezes, pode ser bastante hostil para eles", completa o coordenador.