O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou o inquérito das fake news para imputar improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade ao ministro André Mendonça.

Na quarta-feira, 2, Mendonça, que é relator do caso Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento reuniu 51 mensagens comprometedoras trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, cujos detalhes foram divulgados inicialmente pelo Estadão/Broadcast.

Diante da decisão, Moraes alegou que o colega de corte demonstrou quebra de imparcialidade judicial e atuou para favorecer grupos políticos específicos na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Segundo o magistrado, a atuação de Mendonça englobou a usurpação da direção das investigações policiais, o que abrangeu a imposição de medidas administrativas capazes de desrespeitar a cadeia de custódia e comprometer a produção de provas.

Além disso, o ministro apontou condução inadequada em negociações sobre eventual colaboração premiada e o direcionamento de alvos específicos para apuração, citando nominalmente o próprio ministro Alexandre de Moraes e o senador Davi Alcolumbre.

Conforme a manifestação no inquérito, tais atos teriam sido motivados por interesses pessoais e políticos, incluindo a sinalização prévia de medidas cautelares exigidas para apresentação pela Polícia Federal.