A administração municipal de Manacapuru oficializou decreto de situação de emergência válido por 90 dias em razão da rápida descida do Rio Solimões. O nível da água baixou 1,20 metro ao longo de uma única semana, alcançando a marca de 5,72 metros e atingindo a faixa de alerta acompanhada pelos técnicos da Defesa Civil.
A medida administrativa visa agilizar procedimentos de compra e envio logístico de insumos prioritários. O plano emergencial envolve a distribuição de galões de água potável, gêneros alimentícios, produtos de higiene e remédios para populações que vivem em localidades isoladas da zona rural.
Ritmo atípico da seca
A velocidade com que as águas diminuem logo no início de setembro surpreendeu residentes e gestores públicos do município. Tradicionalmente, esse ritmo acelerado de esvaziamento da calha fluvial costumava ocorrer somente a contar do mês de outubro.
O processo de refluxo iniciado no encerramento de julho já acumula uma retração superior a 5 metros em Manacapuru. Quando comparado ao mesmo intervalo cronológico do ano anterior, o volume registrado encontra-se 3 metros inferior, posicionando a temporada atual como a sexta estiagem mais severa já catalogada na história da localidade para o período.
Prejuízos na navegação e na agricultura
O aparecimento contínuo de praias e bancos de areia começou a inviabilizar rotas de escoamento agrícola das comunidades. Lavradores encontram obstáculos para movimentar cargas até os canais navegáveis do Solimões e seus tributários, gerando apreensão sobre eventual inflação de hortifrutigranjeiros tanto no mercado manacapuruense quanto na capital, Manaus.
O deslocamento de passageiros também sofre impactos operacionais severos na região. No município vizinho de Anamã, embarcações de grande calado que partem de Manacapuru não conseguem mais acessar o canal de entrada local, forçando os viajantes a desembarcarem diretamente no leito do manancial para completar o percurso em barcos menores.















